sexta-feira, 19 de maio de 2017

Shopping mall : um olhar contemplativo


Essa semana fui ao shopping em Jacksonville e durante minhas andanças, pausei para sentar enquanto a amiga continuava no shop til you drop*, firme e forte. 

Uma coisa intrigante aconteceu às minhas observações: o povo da melhor idade( homens e mulheres) se vestiam com muito bom gosto, principalmente os vozinhos. Umas fofuras. Deu vontade de comprar um café pra cada um, sentá-los na Starbucks e conversar sobre a América de suas respectivas décadas. Mesmo se tratando de um mero shopping mall, as peças e o decoro agregavam valor às suas personalidades, independente do estado financeiro. Eles passavam uma idéia de credibilidade, sabedoria e maturidade. Elas passeavam no shopping prestando atenção em tudo. Fazendo um estudo do lugar, estando sensível ao que se passava naquele momento.Seus passos eram firmes e com energia. Haviam saúde e satisfação em seus semblantes.

FONTE:GOOGLE

Daí eu parei para observar o povo da minha geração: ao lado de amigos, mas com a cara no telefone.Estão ao lado, mas não presente. As roupas não realçavam suas personalidades e sim  a moda da vez(porque as peças e o conjunto da obra se repetia muito). Andavam com lentidão e apatia tão grande que eu me perguntava se eram de fato jovens.  Os homens estavam desleixados, outros com a cueca à mostra. Tantos homens quanto as mulheres apresentavam desleixo consigo mesmos. Aqui não falo de roupa cara, maquiagem da MAC, perfume importado, ser sarado não. Falo simplesmente de se ter carinho e amor pela vida, pelo corpo onde habita.
Homens e mulheres com olhares cansados, caras fechadas, sem saúde. Havia tensão e estresse em seus rostos. E fiquei a me perguntar o que a geração antes da nossa conservou que nós demos descarga no banheiro por considerar convencional, tradicional ou retrógrado. 

A geração dos meus pais e avós tiveram menos regalias que a minha, porém minha geração não consegue se encontrar. Busca por ser tudo, menos eles mesmos. Existe um medo  sutil de se encarar. Vive a mercê de curtida e validação nas redes sociais e de discussões com pessoas que nunca conheceram pessoalmente. A vida começa na sexta-feira. Segunda à quinta é mera existência. Isso me doeu muito. Fiquei a me perguntar quando somos mais propensos a cair nessas armadilhas e porque viver o momento tem sido uma tarefa árdua (quando tudo de insignificante compete pela nossa atenção tempo inteiro). 

Sei lá, talvez eu seja o que eles chamam de old soul. Talvez eu seja essa pessoa buscando uma ponte entre as gerações passadas e a minha, visando meu equilíbrio mental e emocional. 

Ás vezes me pergunto se sou a única que lido com isso. Tá faltando substância, e ela é algo que vem de dentro. Não há como dar ou vender.


Não é a aparência, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa, é a classe.
Coco Chanel


*shop til you drop: compre até se acabar.

2 comentários:

  1. Tenho a mesma sensação que você. Até as crianças de hoje em dia não são as mesmas da minha geração. Na minha geração as pessoas não se preocupavam com celular e internet mas eram bem mais felizes e sociáveis.
    Bom final de semana!

    Até mais,
    Emerson Garcia

    Jovem Jornalista
    Fanpage
    Instagram

    ResponderExcluir
  2. Convivo com muitos idosos da família. É impressionante como eles funcionam com pilha Duracell e têm vontade de fazer muitas coisas. Mesmo com falhas na memória, eles gostam de caminhar, sair arrumados, com colar, cabelo penteado, conversar com muita gente.

    A vida moderna tem o lado bom da informação em tempo real, mais oportunidades de estudos, mas por outro lado, tanto trabalho, estudo e tecnologia deixam as pessoas cansadas e desanimadas.

    ResponderExcluir

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